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Wednesday, 12 October 2011

Les Nouveaux Pauvres



 
We are all in the gutter, but some of us are looking at the stars
Oscar Wilde.

I tend to avoid socio-political issues on The Evil Twin, mainly because it isn’t the purpose of this blog – it’s meant to be a light-hearted, frivolous outlet – and also because I’m not an expert on the matter: my layman’s point of view tends to turn into this Bill O’Reilly style rant or, worse, a pseudo-manifesto like the ones we all wrote for our pretentious college newspaper when we thought we were avant-garde geniuses that would change the world.

It has become, however, increasingly difficult to ignore this so-called “crisis”, that generic expression that justifies every misery in the world. Put on weight: “Ah, it’s this bloody debt crisis!”; burn your tongue on the scalding coffee and/or lava-hot micro-waved pastry: “Damn you, bailout!” (with a lisp, of course, since you your mouth is scorched); don’t get laid for a year: “Forget Italy, I’m the one who needs a rescue fund!”.

The truth is that over the last 3 or 4 years things have changed dramatically. This year and the next will be even worse. We need to rethink society and the concepts we’ve been brought up to trust: a college degree doesn’t mean you can get a job; a job does not mean you’ve actually got work to do; if you do have work, it doesn’t mean you’ll get paid (a decent amount or at all); and if you do your work efficiently this doesn’t mean that you’ll be rewarded more than a pat on the back and a condescending “well done”.

Aren’t generations supposed to evolve, to be better than the last? Aren’t we supposed to be better off than our parents were? And aren’t our children supposed to outdo us and their children outdo them and so on?

I may be the exception but I’m definitely not better off than my parents, when they were my age. Far from it. I’m nowhere near where my parents were and they weren’t exactly Bill and Melinda Gates. They were the regular middle class stereotype: married with a couple of kids, decent house, wage and car, we even had a golden Labrador, for God’s sake. They travelled, dressed well and had all the hobbies you’re meant to have when you’re young. I, on the other hand, am unmarried, childless, struggle to pay my 50-year mortgage, drive my parents’ car (if I can afford gas). I can’t even keep my geraniums alive, let alone a pet dog. My biggest shopping extravaganza is getting half-priced ASOS and hobbies to me are more like stuff I can do for free when I’m not working, eg. this blog. I earn an insultingly low wage which I quietly accept because I’m at the employers’ mercy (especially because I work in finance, not the best market right now…) and those SOB know it. I basically survive on precarious artifices such as credit cards and overdrafts, which means I spend half of my nights sleepless trying to figure out how I’m going to make it through the week, buy food and pay bills.

It wasn’t meant to be like this.

I’ve prepared my life and expectations convinced I’d succeed and never ever thought I’d have to skip a few meals so I could pay a late bill or pretend I’m ill so I can unashamedly skip outings with friends because I’m so broke I can’t even afford a latte.

I’m poor, genuinely poor. And yet, my appearances would tell you otherwise. I have a seemingly high-power job, I live in a great neighbourhood; my friends look like they’re worth a million dollars; my clothes aren’t shabby (yet)… and yet I’m broke.

I’m a “nouveau pauvre”.

The so called “nouveau riches” are sooo 1980s… they’re practically extinct now. There aren’t that many people starting off poor and making buckets of money right now, it’s pretty much the opposite: everything’s in the red all the time, people are losing money left and right. It’s Shitville wherever you move to.

But the “nouveau pauvres”, on the other hand, are clearly a growing trend. My generation (i.e. between 25 and 35 yo) is, generally speaking, worst off than our parents when clearly it should be the other way round.

I don’t what the key is to turn this situation around. I’m still trying to figure it out. Trust me: I, more than anyone, am anxious to break the circle and move on and up, but I just can’t see the light at the end of the tunnel… not just yet. But I’ll keep looking for it and hope that any of you who feel the same will keep looking as well and give me a heads up if you find out anything helpful.

Wilde, quoted above, also said that “what seems to us as bitter trials are often blessings in disguise”. Let’s hope so.

Thursday, 11 February 2010

"For To Be Free Is Not Merely To Cast Off One's Chains, But To Live In A Way That Respects And Enhances The Freedom Of Others"



Como já aqui vos contei, passei parte da minha tenríssima infância na Cidade do Cabo. É de lá que datam as minhas primeiras (e mais maravilhosas) memórias e, ainda que nunca mais tenha voltado àquele país, hei de ter sempre uma ligação muito especial com a África do Sul. Recordo o vento quente, uma espécie de abraço soalheiro que me envolvia todas a manhãs a caminho da escola. Lembro-me da Anoria que me ensinou a cantar os parabéns em xhosa. Das idas a Ceres colher cerejas às toneladas, da minha primeira amiga de sempre, a Karen Ahrends, e de tantas outras coisas que me proporcionaram a melhor infância que uma criança pode desejar.
Vivi (in)felizmente à margem do turbilhão político que marcava aquela época (andava num colégio que não alinhava com o apartheid, era demasiado nova para estar acordada à hora do telejornal e o meu maior dilema era saber se brincava às barbies ou aos pequenos póneis) mas os meus pais ainda guardaram uma série de memorabilia que hoje me fascina – desde cartazes do ANC a crachás com o famosíssimo número 46664.
Hoje, que passam 20 anos sobre a libertação do Nelson Mandela, fui invadida por uma nostalgia inexplicável que originou este post. Lembro de acompanhar em directo aquela comoção, aperceber-me claramente que aquilo era history in the making e pensar o quanto aquilo me emocionava. E agora que a África de Sul está tão na berra – desde o Invictus ao tão esperado campeonato do mundo – torna-se cada vez mais evidente que Mandela, o humanitário por excelência, é um herói e um exemplo para todos nós, sejamos sul-africanos ou não.

Enkosi, Madiba!



Monday, 8 June 2009

No Comment

Não sei ao certo o que dizer sobre as eleições europeias e o resultado de ontem à noite. Aliás, ontem mesmo não sabia o que pensar ou dizer: pela primeira vez na minha vida, votei em branco. Estive ainda uns minutos na cabine de voto a olhar para aquele rol de siglas, a decifrar nomes de partidos de que nem nunca tinha ouvido falar, a tentar escolher onde pôr uma cruzinha, mas não consegui. Nunca pensei chegar a um tal ponto de indecisão e decepção política.
Esta campanha eleitoral foi, a meu ver, a pior de que tenho memória. As questões europeias foram deixadas completamente para segundo plano, acho que não ouvi uma única vez as palavras “Tratado de Lisboa” sair da boca de qualquer candidato. Nem políticos nem os media foram capazes de separar as águas e Bruxelas não foi mais do que uma desculpa para lutarem todos – partidos e respectivos candidatos – pelo protagonismo em Lisboa, como que em estágio para as legislativas do final deste ano.
Sou uma grande defensora da U.E. desde o primeiro momento e também sou assumidamente de esquerda, pelo que estou, inevitavelmente, desiludida com o resultado~das eleições: a subida dos votos da direita, particularmente em França e em Itália onde a extrema-direita ganhou maior peso, e em Inglaterra onde os eurocépticos têm cada vez mais importância, são claramente uma preocupação, assim como o é a eterna questão da abstenção. Como já é costume, o grande vencedor foi o português calão que preferiu ir para o Algarve, ficar em casa a ver televisão ou ir com a família ao centro comercial do que perder uns míseros 20 minutos a ir votar: 61% é o valor nacional, sendo que a abstenção foi de 97,8% entre a comunidade emigrante.
Patético.
É cliché mas é verdade: cada povo tem o governo que merece.

Thursday, 7 August 2008

Quando pistas de atletismo são feitas em sweatshops…

Sempre fui adepta de desporto e os jogos olímpicos de verão sempre foram para mim uma emoção. Nas modalidades femininas adoro ver a ginástica rítmica (reminiscente da minha infância) e a natação sincronizada. Já nas modalidades masculinas prefiro a natação, os mergulhos e a ginástica artística (os meninos nas argolas e barras paralelas, ui! e os nadadores com as suas lindas costas, altos e espadaúdos! Mas vejo só pelo desporto, está claro…). Lembro-me de ter visto, em pleno calor alentejano com o meu primo, às tantas da manhã, a Fernanda Ribeiro ganhar a medalha de ouro em Atlanta e os meus pais contam a emoção que foi ver o Carlos Lopes ganhar a primeira medalha de ouro de sempre para Portugal.
Os Jogos Olímpicos de Pequim começam amanhã, dia 08/08/08 às 8:08 da noite. Diz que dá sorte, o número 8… É sempre bom quando um evento internacional desta dimensão é determinado por uma superstição de um povo. Começa logo bem! A verdade é que não estou minimamente entusiasmada com este JO. Não querendo ser pretensiosa ou armar-me em humanista justiceira, acho, sinceramente, que é muito difícil deixar de lado as questões de índole política e de consciência nestas olimpíadas. Reconheço que a China é das maiores civilizações do mundo, que temos muito a agradecer ao povo chinês ao longo de toda a História – desde a pólvora, ao fogo-de-artifício, a passar pela seda e o ábaco, sem esquecer os dizeres do Confucius e as boutiques com bens de primeira necessidade a preços e qualidade de última – e não digo que não a um belo pato-à-Pequim, com um crepe de entrada e gelado frito de sobremesa… Mas a terra do Jackie Chan é também um regime totalitarista, violento, militar e retrógrado, que viola praticamente todos os princípios básicos de direitos humanos, e dono de nível tóxico de poluição como resultado directo da alarve sobre-exploração económico-industrial. A questão do Tibet também é um turn-off, admito-o.
A verdade é que muita coisa mudou desde os tempos da Grécia Antiga, quando os jogos eram uma celebração e tributo aos deuses, e desde o pós-guerra, quando os jogos foram reinstituídos como uma mensagem de esperança, irmandade e paz. Aceito que ainda hoje os JO representam uma oportunidade única para os atletas, mas os interesses financeiros e políticos sobrepõem-se a qualquer outro e deixo aqui o meu protesto – por muito insignificante que seja.







Monday, 4 August 2008

Alexandre Soljenitsyne (1918-2008)

Morreu ontem, vítima de cancro, o autor de “Arquipélago Gulag”.
Alexandre Soljenitsyne será para sempre associado com o tenebroso passado da União Soviética que, durante décadas, foi das mais poderosas nações do mundo, a custo de muito sangue inocente, à lei do terror e tantos outros episódios horripilantes da era de Estaline (e os dos que seguiram).
Um Dia na Vida de Ivan Denissovitch” (de que, confesso, apenas li excertos) revelou ao mundo a realidade do sistema soviético, através do relato do quotidiano de um recluso nos gulags, baseado na experiência do próprio Soljenitsyne que esteve preso num campo de concentração na Sibéria de 1945 a 1953, apenas por ter criticado a directrizes bélicas de Estaline. Publicado em 1962, o texto abriu os olhos da URSS e do mundo para uma realidade até então desconhecida. Foi-lhe atribuído o Nobel da Literatura em 1970, mas Soljenitsyne declinou ir recebê-lo a Estocolmo com receio de não poder regressar à URSS, que ainda assim o privou da cidadania russa e expulsou-o, tendo Soljenitsyne fugido para a Suiça e depois para os EUA, regressando apenas em 1994, após implosão da URSS.
Mas Alexandre Soljenitsyne deve também ser lembrado como o conservador ortodoxo e retrógrado que era. Defensor acérrimo da cultura eslava, foi muito duro para com a sociedade de consumo, fomentando o saudosismo (ainda até há muito pouco tempo patente) do regime comunista. Defendeu inclusive a guerra da Tchetchénia, reclamando a pena de morte para os independentistas, e era-lhe conhecido o penchant anti-semita.
A prova de que nem mesmo os mais eminente heróis são perfeitos.

До свидания, Александр Солженицын.

Friday, 18 July 2008

46664

Faz hoje anos o senhor com as camisas mais feias do mundo.

Também é conhecido por ter sido presidente da África do Sul, Nobel da Paz, líder do movimento anti-apartheid e um dos maiores ícones da luta pela liberdade nos tempos que correm. Nelson Mandela, cujo aniversário se tem vindo a celebrar com inúmeras festividades, concertos e angariações caridosas há um mês, faz hoje 90 anos.
Vivi na Cidade do Cabo de 1984 a 1988 e, nessa altura, Mandela, considerado um terrorista aos olhos do governo de então, cumpria uma pena perpétua com o número de preso 46664 que é hoje tão célebre quanto o próprio Mandela.
Apesar de muito nova e não ter ainda consciência do enquadramento historico-político que vivia, ainda me recordo dos flyers e cartazes do ANC, das imagens dos conturbados shanti towns, de ouvir inglês na escola mas Xhosa, Zulu, Swahili e Afrikaans em todos os outros sítios.
Nunca mais voltei à África do Sul. Por um lado, apetece-me guardar as memórias quentes e doces que guardei da minha terna infância, sem ter de encarar um país pobre, destruído pela SIDA e pelos massacres urbanos de Joanesburgo e não só. Mas, por outro lado, sempre que ouço o Nkosi Sikelel' iAfrika ou tão só o Graceland ou quando vi o In My Country e ainda quando há tempos reli o Cry, My Beloved Country, pensei “Tenho de regressar”. Nem que seja só ao Cabo e ao Kruger Park. Nem que seja para o centenário do Mandela.

Let freedom reign. The sun never sets on so glorious a human achievement”, Nelson Mandela.

Thursday, 3 July 2008

"La liberté appartient à ceux qui l'ont conquise", André Malraux

Ingrid Betancourt, a antiga candidata às presidenciais colombianas, refém da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia desde Fevereiro 2002, foi ontem finalmente resgatada pelo exército colombiano.
Só já faltam os restantes 700 reféns...

Friday, 18 April 2008

A verdadeira razão pela qual Luís Filipe Menezes abandonou a liderança do PSD

Luís Filipe Menezes (sic): “Para mim, chega. […] Sou médico, que jurou lutar pela vida. Eu nunca matei ninguém pelas costas”. E pela frente?! Hein?! HEIN?! ASSASSINO!!

Thursday, 10 April 2008

Il Caimano

Ontem falei de Chavez. Hoje, para variar o espectro de políticos totalitaristas e desonestos, falemos de Sílvio Berlusconi: igualmente burgesso, mas mais bem vestido. O ex e agora novamente soon-to-be primeiro-ministro – se nos fiarmos nas sondagens para as eleições parlamentares do próximo fim-de-semana – voltou a fazer uma declaração digamos que misógina, estereotipada e… vá… estúpida.
Depois de ter afirmado que o poder das mulheres “é dentro de casa” e que “a primazia feminina é dentro das paredes domésticas, mas fora de casa é discutível”, Sílvio disse ontem que “as mulheres da direita são certamente mais belas do que as da esquerda”. Ora, como esquerdista que sou, esta afirmação ofende-me um bocadinho (só um bocadinho…). Bem sei que o PCP tem a Odete Santos, que não ficou a dever muito a Deus… Mas o BE tem a Joana Amaral Dias! A França tem a Ségolène Royale! A Ucrânia tem a Yulia Tymoshenko!
E quem são essas bombas da Direita? A Ferreira Leite? A Thatcher? A Condaleezza Rice?
Ai, mamma mia!