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Wednesday, 30 November 2011

Watcha Readin'? Part 2

Parenthood Gone Awry



Although I first read this a few years ago, when it was published back in 2003, the award-winning “We Need To Talk About Kevin” isn’t the kind of novel you easily forget and now that it’s back in the limelight due to its cinematographic adaptation by Morvern Callar’s director Lynne Ramsay, I thought I could recommend it on today’s “Watcha Readin’?”.
Lionel Shriver (pseudonym of journalist-come-novelist Margaret Ann Shriver) writes a disquieting, gripping novel about a mother, Eva, in a desperate attempt to understand why her teenage son Kevin premeditated and executed a Columbine-style massacre in his high-school, reaches out to her estranged husband Franklin and their need to talk about Kevin.
Kevin has, not surprisingly, a sociopath’s behaviour: he has no affection or moral responsibility and pretty much hates everyone in his family and community but the portrayal is so subtle you really tend to dismiss his actions, signs of disturbance and social detachment as being common childish mischief, as Eva did: after the tragedy, suffering from extreme guilt, she questions every aspect of her son’s upbringing, questioning every punishment or scolding.
The central theme for the story is the rationale behind Kevin’s horrific behaviour. “Why?” is the simple question to which none of the characters, including Kevin himself, knows the answer.
With “We Need To Talk About Kevin” Shriver provokes the eternal social debate of Innate vs. Experience: are we intrinsically good and it is society who corrupts us? Or are some people just born evil, no matter what their upbringing? Are we born with character or do we only acquire it through behaviour?



Equally igniting some debate on parenthood, although – thankfully! – in a completely different tone, was this year’s The Slap by Christos Tsiolkas.
The story starts off during a family and friends’ barbecue, when a spoiled 3 year-old threatens another kid and, to everyone’s shock, is slapped by the threatened kid’s father, who will later be charged for assault by the spoiled child’s parents. The reverberations of the slap and the subsequent court case raise all sorts of issues and doubts in the lives and relationships between all those who witnessed it happen.
With a very clever narration through each of the eight primary characters (four women and four men with very different ages, social backgrounds, ethnicities and sexual orientations), Tsiolkas makes each one of them a main character at different stages of the novel, each giving insightful observations and shedding light on the others, allowing the reader to fall in and out of love with each character throughout the book.
A brilliant portrayal of multicultural Melbourne (with no lack of profanity and graphic sex), The Slap exposes the many flaws and cracks of modern families and society and exploits recurring controversial issues: have we become too soft? Can children not be disciplined anymore? How can an apparently harmless (and justified) domestic incident transform a community of family and friends?
Must we handle every responsibility and issue over to a nanny state?

Have you read any of these? What did you think?

Saturday, 8 January 2011

That Was The Year That Was, Tom Lehrer (1965)


Espanha foi campeã do Mundo. O impronunciável vulcão islandês estragou as férias a milhares de veraneantes. O terramoto afundou o Haiti ainda mais na miséria. A BP destruiu o golfo do México. A cultura ficou empobrecida com as mortes de Éric Rohmer, J.D. Salinger, Alexander McQueen, Dennis Hopper, Saramago, Tony Curtis e Arthur Penn, A “crise” não passou. O resgate dos mineiros chilenos foi das poucas boas notícias que tivemos. Assim como o lançamento do i-pad (wohoo!).
2010 foi um ano igual a tantos outros: recheado de tragédias, desgostos e angústia e umas tantas alegrias aqui e ali. Nenhuma novidade significativa ou verdadeiramente revolucionária.

Mas a nível pessoal tive muitas novidades, algumas delas revolucionárias. E, claro, como qualquer adulto, tive a minha quota-parte de desgosto e angústia.


Ganhei mais um sobrinho. Embora a minha irmã e o meu cunhado tenham contribuído em muito para a criação e o nascimento deste petiz, a verdade é que olho para aqueles enormes olhos azuis e doce sorriso desdentado e penso que ele é a prova acabada de que Deus existe e cria as maiores maravilhas.


Mudei de emprego. Foi para melhor, mas nas piores circunstâncias. Já aqui confessei inúmeras vezes o meu profundo desgosto e arrependimento em ter seguido Direito, ter feito o inferno tenebroso que é a Ordem e ter trabalhado num verdadeiro circo de desonestidade, promiscuidade e ganância que é um escritório de advogados. Nem tudo é mau, claro: fiz lá amigos para a vida, conheci pessoas apaixonantes, tive experiências profissionais e pessoais enriquecedoras. Mas foram anos de pressão, desgaste e insatisfação que não desejo a ninguém.
Mudei em Junho e agora adoro o que faço. Trabalho num hedge fund e outros produtos de investimentos num banco (muitos de vós bocejarão mas juro-vos que é mesmo giro!). Mas, mesmo os mais desligados saberão que se há sector onde as coisas estão a dar para o torto, é este. É mais seguro investir numa empresa têxtil do interior cheia de operários manetas e cegos do que apostar na continuidade do meu emprego. Vivo com a guilhotina ao pescoço sem saber se só vou trabalhar aqui mais um dia, um mês, um ano, uma década…


Comprei a minha casa
. Era um dos projectos que mais ambicionava. Adoro o meu apartamento. Adoro o bairro. Adoro tudo. Mas odeio ter um crédito à habitação que me consome 60% do meu rendimento e que me obriga a fazer uma ginástica financeira inimaginável para não ter der me prostituir ao fim do mês para poder pagar as contas (e digo-vos que morando a 2 minutos do Parque Eduardo 7º, já pensei nisso mais do que uma vez!).


Os meus pais estão velhos. Não sei se ficaram velhos este ano ou se foi gradual e só este ano me apercebi mas a verdade é que, por várias circunstâncias, dei por mim a olhar para os meus pais e a ver um casal de sexagenários, que o são, e não um jovial e enérgico casal de 30, que era a imagem que mantive deles desde a minha infância. Os meus pais sempre foram muito activos e jovens de espírito, com sonhos, projectos, ambições, cheios de saúde e uma vida social bem mais activa do que a minha. Mas, de repente, foram avós, ficaram mais frágeis, mais magros, menos pacientes, menos tolerantes, mais medrosos, com mais cabelos brancos… O facto de eles envelhecerem assusta-me por tantas razões. Primeiro, porque a velhice é uma merda: ninguém gosta de ser velho, não me venham com essas balelas de que se ganha sabedoria e sapiência. Bullshit. Mas assusta-me sobretudo porque significa que também eu estou a ficar mais velha. Estou à beira dos trinta, esse malfadado número que impõe às mulheres como meta para casar, ter filhos, casa e emprego de sucesso. Fiz um PPR, já não aguento sair até às tantas, já não emagreço de um dia para o outro, já critico os comportamentos, vestimentas e cultura (ou falta dela) das gerações mais novas, já uso mais sabrinas rasas do que pumps de 15cm, já faço cortes de cabelo que me rejuvenesçam.
E (O Fortuna do Carmina Burana toca como música de fundo)… tive o meu primeiro cabelo branco.


E, o mais importante, deste e ano e, provavelmente, de todos os anos a vir, conheci, ou melhor, reconheci o Amor.

Não sei o que 2011 me reserva. Já deixei de fazer planos. Não vale a pena. Mas, claro, tomei algumas resoluções (é impossível deixar passar a oportunidade de desenhar objectivos e melhorar o que podemos e queremos!) e a principal de entre elas é ser feliz com o que tenho. Apreciar melhor a minha sorte, as dádivas e as benesses que tenho, dia após dia.

Espero consegui-lo.

Friday, 8 January 2010

"All That I Am Or Ever Hope To Be, I Owe To My Angel Mother", Abraham Lincoln


Deixo-vos novamente um poema, desta vez do Eugénio de Andrade, um dos meus poetas eleitos, e dedico-o à minha doce Mãe, a minha pessoa favorita do mundo inteiro e que hoje faz 58 anos - e continua com um figurão invejável, como podem ver pela fotografia...


No mais fundo de ti,
eu sei que traí, Mãe.

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, Mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, Mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, Mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Tuesday, 16 June 2009

It is much easier to become a father than to be one


O meu Pai faz hoje 60 anos (na fotografia, é o que está de gravata, por via das dúvidas...).

Este post é o resultado de várias tentativas (em vão) de exprimir o quanto admiro e amo o meu Pai mas cheguei à conclusão que não tenho a capacidade intelectual nem o dom da palavra que seriam necessários para lhe prestar a devida homenagem.
Deixo, por isso, as palavras mais óbvias: parabéns, Pai!

Tuesday, 9 June 2009

O Homem da Minha Vida

O Henrique chega daqui a uma semana!!!

Tuesday, 18 November 2008

O Henrique II (Parte II)

Em vésperas de ir para Londres, ando loucamente a comprar kits para o meu sobrinho. Resisto, luto contra o impulso consumista que me apela a comprar babygrows de 5 em 5 mins mas facilmente cedo... Antes do Henrique nascer, a parte lúdica da net significava ir ver músicas, os jornais online, actualizar as fofocas no facebook e pôr a leitura de blogues em dia. Mas agora as palavras que mais insiro no Google são “cute baby clothes”. Juro-vos. O que comprei (só) hoje:





Quem resiste?!

Friday, 7 November 2008

“My parents had a great deal of trouble with me, but I think they enjoyed it”, Mark Twain

Os meus pais fazem hoje trinta e três anos de casado.
Trinta e três anos é muito ano mas lá se aguentam, lá se aturam, lá se amam, lá vencem os obstáculos que se colocam na vida de qualquer pessoa e, ainda para mais, de qualquer casal junto há mais de três décadas.
Não posso dizer que os meus pais têm o casamento perfeito mas são, aos meus olhos, uns pais perfeitos. Não me cabe a mim comentá-los enquanto marido e mulher mas posso dizer que no papel de Mãe e Pai não podiam ter sido melhores. Pode parecer presunçoso mas acredito piamente que não há pais melhores que os meus. Pode haver uns igualmente bons, mas melhor é impossível. Já estraga: é como uma sobremesa demasiado doce, um caril demasiado picante, uma laranja demasiado amarga, uma papa Cerelac demasiado espessa ou demasiado líquida. Os meus pais têm tudo, qualidades e imperfeições, na medida certa. São a papa Cerelac com uns grumos de pó que explodem na boca mas com uma consistência que tem de ser comida à colher e não com garfo e faca.
A minha Mãe deixou de trabalhar para que a minha irmã e eu tivéssemos a melhor vida possível; o meu Pai trabalhou imenso para que a minha irmã e eu tivéssemos a melhor vida possível. Não tive tudo o que quis (ainda sou capaz de jurar que cabia perfeitamente um pónei no meu quarto…), mas tive tudo o que precisei. Mesmo ao fim de 7 anos a viver sozinha e longe deles, ainda não me habituei à ausência e sofro dolorosamente de saudades.
Não sou uma filha fácil: fui uma criança irrequieta, uma adolescente indisciplinada e sou uma adulta inconformada mas nunca, por um segundo que fosse, deixei de sentir o amor e orgulho dos meus pais e, por isso e por tantas outras razões, amo-os incomensuravelmente.
Happy anniversary!

Tuesday, 28 October 2008

O Henrique (Parte I)

Nasceu há 15 dias o ser que, neste momento, é-me mais querido no mundo inteiro. Choro de saudades sem sequer o ter conhecido, acho-o lindo e perfeito a julgar por uns míseras fotografias e tenho mais amor por ele do que por qualquer outra pessoa sem nunca o ter visto.
Apresento-vos o meu sobrinho Henrique, aka. Quique. Está em Londres e só o vou visitar no final do próximo mês. Faltam precisamente 592 horas… passa a correr.