Monday, 31 August 2009

Rage

Rentrée é sinónimo de bom cinema. Depois dos blockbusters de acção e o sem-fim de comédias-românticas que invadem as salas de cinema no verão, Setembro traz-nos finalmente alguns filmes de jeito.
Um deles é o Rage, o novo filme da realizadora Sally Potter.
O filme relata as vidas de vários colaboradores de uma casa de haute couture em Nova Iorque, hipoteticamente filmado por um jovem estudante com a câmara do seu telemóvel, e o enredo desenvolve-se à volta de um acidente ocorrido durante um desfile e que se transforma numa investigação policial. Mas mais do que a história, o filme chamou a atenção do Festival de Berlim porque Sally Potter dá origem a um novo estilo cinematográfico que a realizadora define como naked cinema: a história vive dos personagens mais do que da narrativa que se desenvolve através de entrevistas e testemunhos de diferentes personagens que se declaram sucessivamente em frente à câmara. E, sendo os personagens o elemento mais importante do filme, é esta a grande aposta de Rage que tem um elenco impressionante: Jude Law (no papel de um drag queen), Judi Dench, Steve Buscemi, Lily Cole, Eddie Izzard, John Leguizamo…
Ora vejam:

Não é particularmente confortável mas é gira que se farta:

Feita de 10.000 palhinhas, é a Clutch Chair, do Scott Jarvie.

Friday, 28 August 2009

Operation Kino

Vi ontem, numa sala de cinema lotadíssima, a estreia do Inglourious Basterds do Tarantino. Embora o hype que tem havido à volta do filme e as inúmeras críticas (muitas delas negativas) me tenham, sem dúvida, sugestionado à partida, a verdade é que adorei o filme e mantenho-me uma fidelíssima e devota fã do Tarantino.
Como é típico de Tarantino, o filme vai muito para além da história (sobre um grupo de abnegados vingadores judeus, caçadores de nazis, em missão na França ocupada durante a II Guerra Mundial). O filme tresanda a Tarantino até à última casa, com a assinatura reconhecível nos diálogos, na banda-sonora, na montagem (que é, de longe, dos elementos que mais aprecio nos filmes dele), nas pequenas histórias de grandes personagens que se interligam, da violência humorística como só ele sabe retratar, dos elementos do spaghetti western e do cinema italiano que incorpora sempre (aliás, este filme seria supostamente um remake do Quel Maledetto Treno Blindato de Enzo Castellari)… E isso tudo é bom. É muito bom. A faz com que este seja um grande filme que recomendo vivamente. Embora não haja propriamente um protagonista – mais uma das inconfundíveis características do Tarantino – o coronel Hans Landa, o jew hunter, é o personagem mais marcante e presente do filme, numa impressionante interpretação do austríaco, e poliglota!, Christoph Waltz.


Embora o personagem do Hans Landa seja asqueroso, o homem tem um charme e talento tal que acabamos por nem sequer vê-lo como vilão.
Já o bom da fita – Brad Pitt no papel de Aldo Raine, um hillbilly do Tennesse, com sotaque e comportamento à altura – é de uma violência indescritível e adepto da técnica apache de cortar o escalpe aos inimigos (e há imagens explícitas disso no filme de dar voltas ao estômago).
Outro protagonista que assume um papel dianteiro é… o cinema.
Tarantino não esconde a sua paixão pela 7ª arte e as referências no filme são imensas: um tenente inglês que é crítico e especialista de cinema alemão; a heroína judia que é dona do cinema; o soldado nazi que é actor; a própria sala de cinema onde se desenrola o clímax do filme; a duplo-agente é uma actriz alemã… e por aí adiante.
Como dizia a crítica no Ípsilon de hoje, o Inglourious Basterds é um filme sobre a II Guerra Mundial que se transforma numa carta de amor ao cinema.
E, sem deixar de lado o absurdo da guerra, do ódio injustificado e da vingança, este é um filme retrata com humor e ligeireza um dos temas mais sinistros da história moderna. E é, por estas e por outras, que o Tarantino é um génio. E que este filme é imperdível.

Thursday, 27 August 2009

Wednesday, 26 August 2009

Hervé Léger by Max Azria

Há quem ambicione comprar casa, mudar de emprego, ganhar um Pulitzer ou ir até à lua. Eu sou mais modesta… e fútil, vá: ambiciono um dia poder vir a comprar um vestido do Hervé Léger.
Com um corte característico e imediatamente reconhecível, os vestidos justos e curtos conseguem ser über sexy sem deixarem de ser über classy.
A nova colecção da Hervé Léger foi desenhada pelo Max Azria, dos poucos designers a que tenho acesso, especialmente a linha pronto-a-vestir da BCBG. Numa espécie de “if they mated” de sonho no mundo da moda, criaram-se rebentos tão maravilhosos quanto estes:








Tuesday, 25 August 2009

Quando o Amor é Cool

Não sou a maior apreciadora de graffiti e street art mas apaixonei-me com a ideia (e a mensagem) do projecto “Love Letter”: 40 artistas pintam em enormes superfícies exteriores, numa determinada área da zona desfavorecida de Filadélfia, mensagens de amor enviadas pelo cidadão comum para love@loveletterforyou.com. Tantos as palavras como as imagens são lindas, inovadoras e conjugam na perfeição a lamechice de um recadinho apaixonado com o hip da arte de rua.
O meu eleito: “Forever begins when you say yes”.
É ficar à espera que alguém me diga isto… um dia… talvez.





Quando for grande, quero ser…

… tão sexy quanto a Julie London, tão cool quanto a Alexa Chung, tão bonita quanto a Rania da Jordânia, tão rica quanto a Oprah, tão altruísta quanto a Madre Teresa de Calcutá, tão bem sucedida quanto a Indra Nooyi, tão respeitada quanto a Anna Wintour, tão boa dona de casa quanto a Martha Stewart, tão corajosa quanto a Rosa Parks, tão cómica quanto a Sarah Silverman, tão inteligente quanto a Simone de Beauvoir e tão talentosa quanto a Margot Fonteyn.

LBD

O clássico dos clássicos, o must dos musts, a peça sem a qual se sobrevive e que nunca se tem em excesso: o little black dress. Para a próxima estação, quero este:


Monday, 24 August 2009

Para o P. e a M. que para a semana partem para a Suécia.


País frio, voz quente.
Ando a ver se esta afirmação pega como ditado popular. É que acredito piamente que seja verdade. Point in case: cantautores suecos. O que têm em comum José Gonzalez, Jens Lenkman, Nina Persson e Lykke Li? Vêm de um país onde só se tem calor em saunas e todos eles têm vozes que nos aquecem que nem uma chávena de chá com mel.
Uma voz exemplarmente doce que vem da Ikea-o-lândia pertence a Victoria Bergsman, a vocalista dos The Concretes, do “Young Folks” do Peter, Bjorn & John e do Taken by Trees, o projecto a solo que ontem descobri courtesy da Menina Limão que, abençoada seja, partilhou esta pérola: um cover do "My Girls" dos Animal Collective (o single que inaugurou o ano em grande).



Aproveito a deixa para partilhar ainda uns originais da Miss Bergsman.

E não se esqueçam: país frio, voz quente. Espalhem, pode ser que pegue, numa espécie de Gripe A do mundo dos ditados populares



Knucklering

Embora a onda punk das caveiras não tenha propriamente muito a ver comigo, este anel do Alexander McQueen entrou directamente para a wishlist do dia. Adoro o contraste entre a violência do design com a delicadeza das pedras preciosas.
Não será seguramente a jóia mais confortável que por aí anda mas tem aquela dupla função de acessório / arma de arremesso. Dá sempre jeito.

Friday, 21 August 2009

Want Of The Day

Sei que estamos em pleno mês de Agosto e que muitos dias de praia, verão e calor virão (graças a Deus!). Mas, como qualquer fashionista que se preze, já ando a namorar as colecções Outono/Inverno. Destaque, para já, para os boyfriend jackets da Balmain e as botas absolutamente divinas da Gucci.
Quero, quero, quero!!



Tuesday, 18 August 2009

Let there be light!

Há toda uma explicação técnica para estas lâmpadas: o ar é soprado depois retirado, são aquecidas de uma maneira e arrefecidas de outra, umas têm porcelana, outras simplesmente são foscas, é tudo muito sofisticado. Eu, leiga que sou no mundo das lâmpadas e do vidro em geral, limito-me a apreciar o efeito único e lindíssimo que é produzido pelo conjunto de lâmpadas da autoria do canadiano Omer Arbel.
Pena não ter um pé direito lá em casa que me permita uma instalação desta envergadura.


Friday, 14 August 2009

Se os meus oficiosos fossem tão giros quanto o John Dillinger, nunca tinha acabado o estágio…


Todos nós gostamos do filme em que o ladrão é o bom da fita. Sentimos que também nós, reles espectador e cidadão cumpridor, somos uns fora-da-lei, rebeldes e aventureiros. Apaixonamo-nos pelo Bonnie & Clyde, sem esquecer o Henry Hill do Goodfellas e, claro, o grandioso Don Vito Corleone. Queremos viver, nem que seja por umas horas, com aquela adrenalina e luxo à la Sorpano.
O recém-estreado biópico sobre o John Dillinger, inspirado no livro do historiador e jornalista Bryan Burrough “America’s Greatest Crime Wave and the Birth of the FBI”, não é diferente.
No Inimigos Públicos, Michael Mann retrata John Dillinger como um herói que lutou contra o sistema pervertido pela Grande Depressão dos anos 30. Ele era o Robin dos Bosques de Chicago, com uma incrível e precoce noção de marketing e de cuidado da imagem junto do público que o idolatrava e apoiava na revolta generalizada contra os bancos, por serem responsáveis pelo crash de 1929.
Ao contrário dos outros gangsters da altura, especialmente o irritantíssimo Baby Face Nelson, Dillinger era um homem com classe, inteligência e paixão, quer fosse a roubar bancos ou o coração da Billie Frechette (uma interpretação razoável da Marion Cotillard que, confesso, ainda tenho alguma dificuldade em dissociar do papel da La Môme).

As verdadeiras pérolas do filme são os protagonistas masculinos.
Christian Bale, no papel do agente do FBI Melvin Purvis, apesar de ser o adversário do nosso herói, consegue conquistar a simpatia do espectador, com os melhores fatos do elenco e um irresistível sotaque de Illinois.



E claro, o Johnny Depp. Aaaaah, o Johnny Depp. Voltei a ter 13 anos no cinema ontem: voltei a apaixonar-me por aquele que é provavelmente dos homens mais perfeitos que alguma vez caminharam sobre a terra. Reacendeu a chama da paixoneta que começou com o 21 Jump Street, nos tempos da escola em que faziam colagens nos cadernos de imagens dele no Benny & Joon e no Gilbert Grape.


O filme ganha ainda com a banda sonora, que vai desde os banjos típicos dos anos 30, a fazer lembrar o Oh Brother Where Art Thou, ao jazz sedutor da Billie Holiday, passando pela música principal do filme, o divino Bye Bye Blackbird.




E o meu lado fashonista não resiste em comentar ainda o guarda-roupa do filme.
O Johnny Depp tem os melhores óculos do mundo e fica tão irresistível com o sobretudo invernoso com que abre o filme, como com o fato branco e chapéu de pala que veste na cena final.



A Marion Cotillard usa, numa das cenas em Miami, um chapéu absolutamente divino que já ando a tentar descobrir onde se vende!

Por fim, a título de curiosidade: os chapéus de feltro usados no filme são da fábrica Fepsa, de São João da Madeira. E assim conseguimos sempre a ligação, por mais remota e menos digna que seja, ao êxito do momento: desde o cão do Obama aos acessórios do Johnny Depp. Tuga power.

Friday, 7 August 2009

O melhor bolo de noiva… de SEMPRE!

Não consigo parar de rir…

Quando eu for grande…

E for rica com uma casa grande, quero ter uma peça do Peter Jansen, um escultor holandês cuja mais recente exposição Human Motions pretende capturar, num só momento, uma sucessão de movimentos.
Voto nestes dois:


John Hughes (1950 – 2009)

Em memória do John Hughes que ontem morreu, vítima de ataque cardíaco aos 59 anos.
Ferris Bueller’s Day Off, Pretty in Pink, The Breakfast Club, Sixteen Candles… Os filmes deste homem marcaram a minha pré-adolescência e são responsáveis pelas perneiras e o blusão de baseball que ainda devem estar algures lá por casa.

Thursday, 6 August 2009

Darker My Love

Nem só de futilidades são feitas as minhas incursões pela internet. Tenho feito umas descobertas musicais interessantes, apesar da silly season musical também existir. É como no cinema: será que os distribuidores de filmes não percebem que, lá por ser verão ou estar de férias, a minha escolha não tem de estar limitado ao Harry Potter e à Hannah Montana… Com a música é igual: as playlists das rádios nestes dias limitam-se ao Selfish Love e ao Lucky...
Mas, graças ao João Lopes, tenho lavado o meu ouvido das impurezas musicais veraneantes com os Darker My Love, um quinteto californiano que muito me recorda os inícios dos My Blood Valentine. O segundo álbum – apropriadamente intitulado "2" – saiu já o ano passado e tem pérolas como esta, ora apreciem:

Current Obsession

É Agosto, está calor, está tudo de férias… Só apetece estar na praia a apanhar banhos de sol e de mar… Mas não. Estou enfiada entre quatro paredes, sob luz e temperatura artificial, com vista sobre as Amoreiras. Ah, o meu querido mês de Agosto...
Quem diz que ficar em Lisboa a trabalhar em Agosto é uma maravilha porque não há trânsito, há sempre sítio para estacionar, não há filas para nada, yada yada yada… bullshit. É puro consolo dos tristes que ficam a alombar enquanto está toda gente a dormir 14h e o dilema mais bicudo do dia é se comem o Magnum clássico ou com amêndoas…
O que me tem evitado de dar uma de bowling for Columbine é ter a internet permanentemente ligada. Ah, a net. O que seria deste meu querido mês de Agosto sem net? Não sei quem foi que inventou a internet (até podia pesquisar que em poucos segundos saberia a resposta porque está tudo na net, mas não me apetece) mas esse homem (suponho que tenha sido um homem) merece ser santificado.
A verdade é que, em modo de compensação por não estar de férias, tenho andado sobretudo a andar pela net como quem se passeia num centro comercial e a mimar-me com as coisas mais fúteis e inúteis, a queimar as minhas poupanças como se tivesse ganho o Euromilhões… várias vezes. A Amazon qualquer dia já me cumprimenta de beijinho e pergunta pela família, de tal modo passo lá a vida, e as “boutiques” da moda nos EUA são a minha verdadeira perdição. Descobri há muito pouco tempo a marca Free People que tem as roupas mais maravilhosas, uma espécie de Urban Outfitters mais usável, menos in your face e mais feminino.
As peças são, infelizmente, tão cara quanto irresistíveis… Consegui controlar o meu instinto consumista e limitei-me (por enquanto) a este vestido e este top que estão já a caminho da casa da minha irmã em Londres para eu ter em Outubro, para além da alegria de rever o meu sobrinho, toda uma panóplia de kits à minha espera: wohoo!
(Aqui entre nós, acho que qualquer dia o meu cartão de crédito vai vira-se para mim, perguntar-me como é que eu não tenho vergonha na cara e dar-me um par de estalos…).
Eis os eleitos: