Estou absolutamente apaixonada, mas ao ponto de estar praticamente de joelhos e pedi-los em casamento, por estes sapatos e este casaco da Urban Collection que descobri no blogue très à la mode da francesa Alix.
Não é segredo para ninguém que sou uma apaixonada por Espanha e tudo o que venha das terras de nuestros hermanos. Afirmo sem vergonha e indiferente aos olhares horrorizados dos que me ouvem que o 1 de Dezembro de 1640 foi um erro crasso, que a ¡Hola! é uma das minhas leituras obrigatórias e a cidade onde mais quero viver no mundo inteiro é Madrid.
Entre as minhas muitas paixões espanholas inclui-se o cinema e, claro, o icónico Pedro Almodóvar. Vi todos os filmes dele a partir do clássico Mujeres al Borde de un Ataque de Nervios; o Habla con Ella há-de constar eternamente no meu Top 5, independentemente de todos os filmes que eu ainda venha a ver: nenhum vai superar aquela obra prima, impossível.
E ontem, como boa espanhola-e-chica-Almodóvar-wannabe, fui ver Los Abrazos Rotos. (Pequeno à parte: os meninos que trabalham no Magnólia do Londres têm de começar a tomar algum excitante ou estimulante com urgência: ecstasy, café, coca-cola, o que seja, mas não demorem 20 mins a fazer-me uma mísera tosta de brie, sff, e a obrigarem-me a perder os primeiros minutos do filme, ‘tá? Obrigada.)
O último filme de Almodóvar tem desiludido os grandes especialistas imparciais e os acérrimos seguidores do realizador: as críticas vão no sentido de que o filme é meramente satisfatório, não traz nada de novo, o argumento é demasiado expectável e melodramático, yada yada yada. Infelizmente, concordo. Há, de facto, uma falta de elementos surpresa que sempre ansiamos nos filmes de Almodóvar. Ainda por cima, não gostei do protagonista – Lluís Homar – que aparece em 99% das cenas, por isso logo aí há um ligeiro set back…
Los Abrazos Rotos é tudo aquilo que se espera de uma obra de Almodóvar, encarnando na perfeição o estilo criativo bastante próprio e cuidado do cineasta, mas isso não é necessariamente mau: em equipa vencedora não se mexe, não é o que se costuma dizer? Voltamos a encontrar neste filme os curiosos ângulos de filmagem de que Almodóvar é mestre, uma fotografia exímia (sobretudo nas cenas passadas em Lanzarote), os personagens de sempre (destaque para o nostálgico reencontro com a nariguda Rossy de Palma) e uma banda sonora imaculada, entregue ao génio que é Alberto Iglésias, de quem sou a fã número um. E, também como boa espanhola-wannabe e fútil (de qualquer nacionalidade) que sou, adorei o guarda-roupa: com cenas passadas nos anos 80, as roupas são típicas da época sem ser um cliché e, aliás, é com fatos lindíssimos que vemos uma Penélope Cruz sensual e femme fatal: o fato encarnado da cena final e um fato Chanel preto que ela usa com uma mini saia plissada... um sonho. Outro pequeno à parte: eu quero ser a Penélope Cruz quando for grande. Não só porque ela anda com o Javier Bardem mas também porque ela é a mulher perfeita, linda de morrer em todas as cenas. Cabra.
Fiquei mesmo triste ao ler a notícia da morte do Patrick Swayze. Não há menina da minha geração que não tenha tido um fraquinho por ele, ou melhor, pelo Johnny Castle, protagonista do Dirty Dancing. Esse é, sem dúvida, dos filmes mais marcantes da minha pré-adolescência: nas saudosas “pijama parties”, chegava a ver aquilo 3 vezes seguidas com as minhas amigas, sabíamos as falas de cor (“I carried a watermellon?!”), ensaiávamos as danças e todas nós sonhávamos um dia poder ir para um campo de férias assim… e com instrutores de dança daqueles. Ainda há pouco tempo disse a uma amiga que adorava que, se um dia me casar, a minha primeira dança fosse a coreografia final do Dirty Dancing. Quem sabe, um dia.
O MEC escreveu um livro inteiro dedicado ao tema: o amor é, efectivamente, f*dido. Eu que o diga… Começo a chegar à conclusão que o coração não é órgão vital coisíssima nenhuma: o meu está todo f*dido e bem que estou aqui, com uma saúde de ferro. Há um sem fim de poemas, livros e filmes sobre o assunto, já para nem falar de músicas. Sidney Lanier disse que “music is love in search of a word”; pois eu já encontrei a palavra: é “f*dido”. O que vale é que para cada desgosto, por mais específico que seja, há sempre uma música que descreve exactamente aquilo que sentimos e vivemos. E, num sadismo inexplicável, consolamo-nos com a mágoa dos outros: houve sempre quem já viveu a mesma dor que nós e quando a canta, pensamos “é mesmo isto!”.
Esta semana está a ser particularmente difícil por um sem número de razões que não vale a pena agora enumerar mas, graças a Deus, descobri um site que é foi a dádiva que me salvou o dia.
People of Walmart é, tal como um nome indica, um site dedicado exclusivamente a fotografias de clientes do Walmart pelos EUA fora, uma instituição americana sem paralelo na Europa: o Lidl ou o Intermarché ao lado disto parecem o Gourmet do Corte Inglês.
Lembram-se do episódio do Seinfeld em que era o mundo ao contrário? O do bizarro Jerry, em que a Elaine arranja novos amigos que são fisicamente iguais ao Jerry, George e Kramer mas com personalidades opostas? Pois, o People of Walmart é uma espécie de bizarroSartorialist – é elevar o face hunting e street style a todo um outro nível, uma declaração de amor à América profunda, aos rednecks, aos ghetto ganstas… As fotografias são tantas e tão boas que recomendo vivamente uma visita ao site mas deixa-vos por ora um gostinho de algumas das minhas favoritas.
No outro dia, em arrumações no meu antigo quarto em casa dos meus pais, encontrei o meu saco do ballet. Um doloroso lembrete que não tive talento, oportunidade nem persistência suficiente para ser a prima ballerina que em tempos ambicionei. O equivalente a ver o meu sonho de infância reduzido a um saco de pano cheio de tralha: 5 maillots, uns 10 pares de collants rosa e brancos, umas dezenas de peças cortadas e rasgadas, desde calções a t-shirts, que vestia nos aquecimentos, as perneiras e o cache-coeur da Repetto oferecidos pela minha irmã, dois pares de sapatilhas da Bloch, umas demi-pointes rotas e dois pares de pontas: umas rasgadas com a caixa à mostra e manchadas do sangue das feridas e calos, e outras novinhas da Freed, lindas, usadas uma só vez, no meu exame final do RAD. Apresentei – juntamente com 3 meninas dez vezes mais talentosas e capazes que eu e que hoje integram corpos de bailado – o célebre pas de quatre do segundo acto do Lago dos Cisnes, provavelmente a variação mais difícil que dancei: vestidas a rigor, o cabelo esticado ao ponto de magoar os olhos, as penas a irritar as orelhas; as mãos suadas dos nervos e do esforço, apertadas para assegurar o difícil equilíbrio, os movimentos incessantes e bruscos da cabeça em sentido oposto aos retirés, o pas de chat sincronizado e fouettés sem poder tocar nas pernas umas das outras… Ainda hoje, ao rever esta variação, fico nervosa e emocionada, particularmente quando executado com a elegância e perfeição das meninas do ABT no excerto que vos deixo. Apreciem porque julgo, sinceramente, que há poucas coisas no mundo tão belas quanto esta.
E, no âmbito do meu pet project do momento que poderia intitular-se "Vamos Lá Dar A Volta A Isto E Ser Feliz - Vou Fazer Tudo O Que Sempre Quis E O Que Muito Bem Me Apetece", voltei às aulas de ballet, a começar amanhã. Duvido que algum dia consiga voltar a dançar os Cygnets mas pelo menos volto a dar uso às Freed que custaram os olhos da cara…
Já aqui vos falei da minha predilecção pelo novo must das colecções Outono/Inverno: as botas Over The Knee (ou OTK). Estas são do Giuseppe Zanotti e são tão lindas, tão lindas, tão lindas que cada vez que vou ao site, rezo para que o preço (1.225,00 dólares) seja apenas uma piada de mau gosto e, na verdade, custam 100 dólares e, vá, nem sequer há portes de envio.
Rentrée é sinónimo de bom cinema. Depois dos blockbusters de acção e o sem-fim de comédias-românticas que invadem as salas de cinema no verão, Setembro traz-nos finalmente alguns filmes de jeito.
Um deles é o Rage, o novo filme da realizadora Sally Potter.
O filme relata as vidas de vários colaboradores de uma casa de haute couture em Nova Iorque, hipoteticamente filmado por um jovem estudante com a câmara do seu telemóvel, e o enredo desenvolve-se à volta de um acidente ocorrido durante um desfile e que se transforma numa investigação policial. Mas mais do que a história, o filme chamou a atenção do Festival de Berlim porque Sally Potter dá origem a um novo estilo cinematográfico que a realizadora define como naked cinema: a história vive dos personagens mais do que da narrativa que se desenvolve através de entrevistas e testemunhos de diferentes personagens que se declaram sucessivamente em frente à câmara. E, sendo os personagens o elemento mais importante do filme, é esta a grande aposta de Rage que tem um elenco impressionante: Jude Law (no papel de um drag queen), Judi Dench, Steve Buscemi, Lily Cole, Eddie Izzard, John Leguizamo…
Vi ontem, numa sala de cinema lotadíssima, a estreia do Inglourious Basterds do Tarantino. Embora o hype que tem havido à volta do filme e as inúmeras críticas (muitas delas negativas) me tenham, sem dúvida, sugestionado à partida, a verdade é que adorei o filme e mantenho-me uma fidelíssima e devota fã do Tarantino. Como é típico de Tarantino, o filme vai muito para além da história (sobre um grupo de abnegados vingadores judeus, caçadores de nazis, em missão na França ocupada durante a II Guerra Mundial). O filme tresanda a Tarantino até à última casa, com a assinatura reconhecível nos diálogos, na banda-sonora, na montagem (que é, de longe, dos elementos que mais aprecio nos filmes dele), nas pequenas histórias de grandes personagens que se interligam, da violência humorística como só ele sabe retratar, dos elementos do spaghetti western e do cinema italiano que incorpora sempre (aliás, este filme seria supostamente um remake do Quel Maledetto Treno Blindato de Enzo Castellari)… E isso tudo é bom. É muito bom. A faz com que este seja um grande filme que recomendo vivamente. Embora não haja propriamente um protagonista – mais uma das inconfundíveis características do Tarantino – o coronel Hans Landa, o jew hunter, é o personagem mais marcante e presente do filme, numa impressionante interpretação do austríaco, e poliglota!, Christoph Waltz.
Embora o personagem do Hans Landa seja asqueroso, o homem tem um charme e talento tal que acabamos por nem sequer vê-lo como vilão.
Já o bom da fita – Brad Pitt no papel de Aldo Raine, um hillbilly do Tennesse, com sotaque e comportamento à altura – é de uma violência indescritível e adepto da técnica apache de cortar o escalpe aos inimigos (e há imagens explícitas disso no filme de dar voltas ao estômago).
Outro protagonista que assume um papel dianteiro é… o cinema.
Tarantino não esconde a sua paixão pela 7ª arte e as referências no filme são imensas: um tenente inglês que é crítico e especialista de cinema alemão; a heroína judia que é dona do cinema; o soldado nazi que é actor; a própria sala de cinema onde se desenrola o clímax do filme; a duplo-agente é uma actriz alemã… e por aí adiante. Como dizia a crítica no Ípsilon de hoje, o Inglourious Basterds é um filme sobre a II Guerra Mundial que se transforma numa carta de amor ao cinema.
E, sem deixar de lado o absurdo da guerra, do ódio injustificado e da vingança, este é um filme retrata com humor e ligeireza um dos temas mais sinistros da história moderna. E é, por estas e por outras, que o Tarantino é um génio. E que este filme é imperdível.
Há quem ambicione comprar casa, mudar de emprego, ganhar um Pulitzer ou ir até à lua. Eu sou mais modesta… e fútil, vá: ambiciono um dia poder vir a comprar um vestido do Hervé Léger.
Com um corte característico e imediatamente reconhecível, os vestidos justos e curtos conseguem ser über sexy sem deixarem de ser über classy.
A nova colecção da Hervé Léger foi desenhada pelo Max Azria, dos poucos designers a que tenho acesso, especialmente a linha pronto-a-vestir da BCBG. Numa espécie de “if they mated” de sonho no mundo da moda, criaram-se rebentos tão maravilhosos quanto estes:
Não sou a maior apreciadora de graffiti e street art mas apaixonei-me com a ideia (e a mensagem) do projecto “Love Letter”: 40 artistas pintam em enormes superfícies exteriores, numa determinada área da zona desfavorecida de Filadélfia, mensagens de amor enviadas pelo cidadão comum para love@loveletterforyou.com. Tantos as palavras como as imagens são lindas, inovadoras e conjugam na perfeição a lamechice de um recadinho apaixonado com o hip da arte de rua. O meu eleito: “Forever begins when you say yes”.
É ficar à espera que alguém me diga isto… um dia… talvez.
… tão sexy quanto a Julie London, tão cool quanto a Alexa Chung, tão bonita quanto a Rania da Jordânia, tão rica quanto a Oprah, tão altruísta quanto a Madre Teresa de Calcutá, tão bem sucedida quanto a Indra Nooyi, tão respeitada quanto a Anna Wintour, tão boa dona de casa quanto a Martha Stewart, tão corajosa quanto a Rosa Parks, tão cómica quanto a Sarah Silverman, tão inteligente quanto a Simone de Beauvoir e tão talentosa quanto a Margot Fonteyn.
O clássico dos clássicos, o must dos musts, a peça sem a qual se sobrevive e que nunca se tem em excesso: o little black dress. Para a próxima estação, quero este:
País frio, voz quente. Ando a ver se esta afirmação pega como ditado popular. É que acredito piamente que seja verdade. Point in case: cantautores suecos. O que têm em comum José Gonzalez, Jens Lenkman, Nina Persson e Lykke Li? Vêm de um país onde só se tem calor em saunas e todos eles têm vozes que nos aquecem que nem uma chávena de chá com mel. Uma voz exemplarmente doce que vem da Ikea-o-lândia pertence a Victoria Bergsman, a vocalista dos The Concretes, do “Young Folks” do Peter, Bjorn & John e do Taken by Trees, o projecto a solo que ontem descobri courtesy da Menina Limão que, abençoada seja, partilhou esta pérola: um cover do "My Girls" dos Animal Collective (o single que inaugurou o ano em grande).
Aproveito a deixa para partilhar ainda uns originais da Miss Bergsman.
E não se esqueçam: país frio, voz quente. Espalhem, pode ser que pegue, numa espécie de Gripe A do mundo dos ditados populares
Embora a onda punk das caveiras não tenha propriamente muito a ver comigo, este anel do Alexander McQueen entrou directamente para a wishlist do dia. Adoro o contraste entre a violência do design com a delicadeza das pedras preciosas.
Não será seguramente a jóia mais confortável que por aí anda mas tem aquela dupla função de acessório / arma de arremesso. Dá sempre jeito.
Sei que estamos em pleno mês de Agosto e que muitos dias de praia, verão e calor virão (graças a Deus!). Mas, como qualquer fashionista que se preze, já ando a namorar as colecções Outono/Inverno. Destaque, para já, para os boyfriend jackets da Balmain e as botas absolutamente divinas da Gucci.