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Thursday, 11 February 2010

"For To Be Free Is Not Merely To Cast Off One's Chains, But To Live In A Way That Respects And Enhances The Freedom Of Others"



Como já aqui vos contei, passei parte da minha tenríssima infância na Cidade do Cabo. É de lá que datam as minhas primeiras (e mais maravilhosas) memórias e, ainda que nunca mais tenha voltado àquele país, hei de ter sempre uma ligação muito especial com a África do Sul. Recordo o vento quente, uma espécie de abraço soalheiro que me envolvia todas a manhãs a caminho da escola. Lembro-me da Anoria que me ensinou a cantar os parabéns em xhosa. Das idas a Ceres colher cerejas às toneladas, da minha primeira amiga de sempre, a Karen Ahrends, e de tantas outras coisas que me proporcionaram a melhor infância que uma criança pode desejar.
Vivi (in)felizmente à margem do turbilhão político que marcava aquela época (andava num colégio que não alinhava com o apartheid, era demasiado nova para estar acordada à hora do telejornal e o meu maior dilema era saber se brincava às barbies ou aos pequenos póneis) mas os meus pais ainda guardaram uma série de memorabilia que hoje me fascina – desde cartazes do ANC a crachás com o famosíssimo número 46664.
Hoje, que passam 20 anos sobre a libertação do Nelson Mandela, fui invadida por uma nostalgia inexplicável que originou este post. Lembro de acompanhar em directo aquela comoção, aperceber-me claramente que aquilo era history in the making e pensar o quanto aquilo me emocionava. E agora que a África de Sul está tão na berra – desde o Invictus ao tão esperado campeonato do mundo – torna-se cada vez mais evidente que Mandela, o humanitário por excelência, é um herói e um exemplo para todos nós, sejamos sul-africanos ou não.

Enkosi, Madiba!



Friday, 18 July 2008

46664

Faz hoje anos o senhor com as camisas mais feias do mundo.

Também é conhecido por ter sido presidente da África do Sul, Nobel da Paz, líder do movimento anti-apartheid e um dos maiores ícones da luta pela liberdade nos tempos que correm. Nelson Mandela, cujo aniversário se tem vindo a celebrar com inúmeras festividades, concertos e angariações caridosas há um mês, faz hoje 90 anos.
Vivi na Cidade do Cabo de 1984 a 1988 e, nessa altura, Mandela, considerado um terrorista aos olhos do governo de então, cumpria uma pena perpétua com o número de preso 46664 que é hoje tão célebre quanto o próprio Mandela.
Apesar de muito nova e não ter ainda consciência do enquadramento historico-político que vivia, ainda me recordo dos flyers e cartazes do ANC, das imagens dos conturbados shanti towns, de ouvir inglês na escola mas Xhosa, Zulu, Swahili e Afrikaans em todos os outros sítios.
Nunca mais voltei à África do Sul. Por um lado, apetece-me guardar as memórias quentes e doces que guardei da minha terna infância, sem ter de encarar um país pobre, destruído pela SIDA e pelos massacres urbanos de Joanesburgo e não só. Mas, por outro lado, sempre que ouço o Nkosi Sikelel' iAfrika ou tão só o Graceland ou quando vi o In My Country e ainda quando há tempos reli o Cry, My Beloved Country, pensei “Tenho de regressar”. Nem que seja só ao Cabo e ao Kruger Park. Nem que seja para o centenário do Mandela.

Let freedom reign. The sun never sets on so glorious a human achievement”, Nelson Mandela.