Thursday, 28 May 2009

370 Beech Street, Highland Park, Illinois, USA

O “Ferris Bueller’s Day Off” é um dos filmes da minha infância que vi e revi vezes sem conta, invejando toda aquela audácia, irreverência, demência e diversão. Tem duas das minhas cenas favoritas do cinema: a do desfile na parada louca ao som do Twist and Shout e a do Ferrari do pai do Cameron em marcha atrás, para aldrabar os quilómetros, que voa garagem fora.
E essa dita garagem pertence a esta casa de sonho que está agora à venda pela módica quantia de $2.300.000,00. Para aqueles que querem ir viver para Chicago, parece-me uma pechincha. É aproveitar a crise!





E a título de refresh do filme, deixo-vos estas pérolas:

Um bom conselho

Rapazes por esse mundo fora, ouçam-me com atenção: invistam num destes chapéus criados exclusivamente em N.Y. pela Still Life para a Marc Jacobs.
Não há maior babe magnet, prometo: são clássicos, intemporais, distintos e über-elegantes, lindos, lindos, lindos! Custam $225. Mas são lindo, lindo, lindos!

Thursday, 14 May 2009

You can only be young once but you can always be immature.


Faço hoje 27 anos. Vinte e sete anos. V-i-n-t-e e s-e-t-e! Confesso que ainda não me mentalizei, ainda não me habituei à ideia. Quando me perguntam a idade, dou por mim a pausar e a pensar antes de responder e, vezes sem conta, ainda me engano e digo que tenho 23 (um equívoco genuíno, juro!).

A partir dos 25 anos, a idade já não vale por si: o ponto de referência passa a ser os trinta e, em vez de termos 26 anos, estamos a 4 anos dos 30. Na verdade, hoje não digo “faço 27 anos” mas antes “estou a apenas 3 anos de fazer 30”.
E é nessa perspectiva que tenho vivido: daqui a 3 anos faço 30 anos. Tenho, por isso, 3 anos para queimar os últimos cartuchos e fazer toda as asneiras que deixam de ser aceitáveis quando passar a barreira dos trinta: é como as vésperas de dietas, em que se come bolachas, boiões de Häagen Dazs e chocolate como se não houvesse amanhã, porque esse tal de amanhã vai ser vivido apenas a legumes a vapor. Tenho de aproveitar agora para sair à noite e não ter vergonha de voltar a casa já o sol vai alto, tenho de aproveitar para ter lata de usar o que me apetece ou fazer birra porque “não tenho nada para vestir!”, jantar Papa Cerelac, gastar um ordenado num par de sapatos e ficar sem dinheiro para as contas e pagá-los com multa fora do prazo, ficar a ver séries até às tantas da manhã e vir trabalhar com uma enxaqueca do dia a seguir, deitar-me ao sol em pleno verão das 11h às 16h sem protector solar e comer um menu completo do McDonalds sem ter de passar os oito meses seguintes a pão e água.

Não é preciso ser um génio para perceber que esta não é a melhor técnica para avançar na idade. Aliás, é possivelmente a pior. O lema do carpe diem só funciona mesmo no Clube dos Poetas Mortos e nem aí: o professor acaba por ser despedido e o protagonista suicida-se. Não se pode dizer que seja propriamente o final feliz. A verdade é que, tal como a dieta não funciona melhor se emborcarmos 40 quilos de gomas na véspera do Dia D, também não se envelhece melhor se vivermos abusivamente a nossa “juventude” (os 20 ainda são considerados juventude?).
Li no outro dia num artigo autobiográfico intitulado “Turning 30: Only Adults Allowed”, da escritora americana Sloane Crosley, uma frase que me fez pousar a revista no colo e pensar “caramba, é isto mesmo”, que agora vos deixo:

“Maybe the trick to 30 is to stop waiting for signs of adulthood when you’re standing dead smack in the middle of it”.

Que se lixe o Prof. Keating. Que se lixe o “seize the day”. Não é o dia que é preciso agarrar: é a vida. E a vida não é para ser gasta: é para ser vivida! Mai’ nada!

Ah, e parabéns a mim!!

Wednesday, 13 May 2009

A Treze de Maio, na Cova da Iria...

Não quero de todo perigar a laicidade do B’necas mas fruto de anos e anos em colégios de freiras e muitos Domingos passados a receber e dar aulas de catequese, não resisto a deixar aqui uma nota sobre o dia de hoje, passados 92 anos sobre a aparição de N. Senhora de Fátima aos três pastorinhos. Foi um episódio religioso que marcou a minha infância: quando era criança rezava todos os dias para que a N. Senhora me aparecesse a mim e todas as minhas bonecas (Barbies inclusive) se chamavam Jacinta.
Continuo a ser católica praticante e tenho muita dedicação a certos santos e a determinadas imagens da N. Senhora. A de Fátima, por acaso, já não é uma delas: não faço promessa para ir a Fátima, nem de carro nem a pé e muito menos de joelhos, detesto toda aquela exploração comercial e não gosto do Santuário. Mas ontem dei por mim a ver a transmissão da procissão da velas e a ficar emocionada. É impossível ficar indiferente àquele desfile de luzes quentes na noite escura, com milhares de vozes trémulas a cantarem em uníssono “A treze de Maio, na Cova da Iria, apareceu brilhando a Virgem Maria. Avé, Avé, Avé Maria!”. Deitei-me com aquela música na cabeça, acordei com aquela música na cabeça e ainda não consegui deixar de cantar “A treze de Maio, na Cova da Iria…”. Há horas que não me sai da cabeça: estou a sentir um misto de aproximação divina intensa e de irritação extrema porque não consigo sequer concentrar-me a trabalhar.
É impressionante como um hit da Igreja Católica consegue ser mais viciante e potente do que o último single da Beyoncé ou da Britney Spears.
“A treze de Maio, na Cova da Iria…”. Porra, continua!

Tuesday, 12 May 2009

A Capital do Móvel saiu de Paços de Ferreira e foi para Alfragide…

Estou certa de que não serei a primeira nem a última pessoa a escrever sobre uma ida ao Ikea mas não resisto. Prefiro pecar pela falta de originalidade do que não lançar aqui, ao vastíssimo público que lê o B’necas, este apelo: metam o porteiro do Lux à porta do Ikea de Alfragide. Estou a falar muito a sério.

Estou a mudar de casa e vi-me obrigada, pela primeira vez na minha já não tão curta existência, a ir ao Ikea, no domingo passado. Depois do já deprimente cenário de ter de acordar ao domingo com despertador, a manhã foi sempre down hill a partir daí. Logo à chegada, uma pessoa fica com os ânimos de rastos. Toda aquela zona de Alfragide é de fazer chorar as pedras da calçada: não que eu queira um Ikea no meio do Parque Eduardo VII, no Chiado ou nas dunas selvagens do Guincho mas, caramba!, aquela zona é de meter medo ao susto. Depois, já no próprio Ikea, todo ele muito azul e amarelo, ninguém aguenta mais do que 2 minutos ali sem ficar com uma tremenda dor de cabeça.

A verdade é que sofro de dois males que em muito prejudicam uma ida ao Ikea.

Por um lado, sofro de uma extraordinária falta de poder de decisão.
Já me vejo aflita nos restaurantes com ementas com mais do que 3 pratos, demoro meia hora a decidir e fico sempre a preferir o prato do outro que não escolhi, por isso darem-me a escolher entre 40 camas, 80 armários, 50 cómodas, 100 mesas e mesinhas e mesões, cadeiras, bancos, sofás ou poltronas, cujos preços variam dos 4€ aos 400€… fico logo a suar e com tremores! E com tanta mobília, tanto quarto montado, tanta sala pronta a habitar e tanta cozinha pronta para cozinhar… A certa altura, naquela gigante casa labiríntica de mil divisões, dei por mim a hesitar entre um beliche de crianças e um fraldário: note-se que já não tenho idade para ter cartão jovem nem tenho filhos…

Por outro lado, sou claustrofóbica.
Não sei como é que é o Ikea durante a semana mas posso garantir-vos que aquilo ao Domingo de manhã tem lotação esgotada. A certa altura achei que ia ter de me pôr às cavalitas do casal à minha frente para poder circular.
Ir passear ao centro comercial é so last season, está out. Agora giro, giro é ir ao Ikea ao fim-de-semana. É que é tão giro que não dá para ir só o núcleo familiar: têm de reunir pelo menos três gerações e três graus de separação do agregado familiar. Vai a avó, o avô e a tia avó, que se sentem mal "derivado" ao calor e à multidão e sentam-se em cada um dos 30 mil sofás, 20 mil poltronas e 10 mil camas expostas no Ikea. O pai, cumprindo o seu papel de pater familias e macho latino, percebe de móveis como ninguém e abre todo e qualquer armário, gaveta e móvel, analisa o interior, o material, a dobradiças, abre e fecha repetidas vezes ou bate com força para testar a durabilidade e qualidade… O neto, o bisneto e o primo também vão, tiram 15 lápis cada um e outras tantas fitas métricas. E claro, vai também o primo do primo e a miúda que anda com o primo do primo que, romanticamente (o que implica andarem sempre de mão dada e muito lentamente) projectam o novo T2 que estão a pensar arrendar perto da casa da mãe dela. No final do passeio, sem terem comprado um único móvel ou uma única peça que seja, sentam-se no café Ikea a deliciarem-se com o pequeno-almoço Ikea a €1,30 (a esse preço suponho que o croissant venha também em peças separadas e sejamos nós próprios a montar a meia-de-leite…) e ainda acabam por ir almoçar ao Allegro, antes de ir passar a tarde à Makro.
Não que eu seja uma miúda propriamente aventureira ou hiperactiva mas, caramba, consigo pensar em tanta coisa melhor para fazer ao fim-de-semana de manhã…
Há que controlar este fluxo de gente supérflua, destes transeuntes que não vivem o drama de “como decorar um T4 com 1000€?” ou “como fingir que um móvel de 40€ é uma relíquia de Art Déco?” ou “como comprar um quarto, uma sala e uma casa-de-banho em meia-hora?”.

Chega de domingueiros! Aquele gente tem de pagar consumo mínimo! Tem de sair de lá com pelo menos uma estante Billy! O Miguel que guarde a porta do Ikea durante o do dia e a do Lux à noite: é simples e eficaz!

Monday, 11 May 2009

Não há três sem quatro!

O que vale é que, por mais complicada, conturbada e difícil que seja a minha vida, posso sempre contar com o meu clube para me dar razões de jubilo, gáudio e imensas alegrias. O Futebol Clube do Porto provou ontem, mais uma vez, que é o Rei do desporto rei.
Não sou realeza mas garanto-vos que tenho sangue azul!
FêCêPê! FêCêPê! FêCêPê!

Thursday, 7 May 2009

He's behind you, he's got swine flu!

Mike Skinner dos The Streets volta a provar que, para além de uma enorme carga de talento, tem um colossal sentido de humor vey british…
Pára, olha e escuta:

Wednesday, 6 May 2009

¡Y porque el México no es solo la gripe porcina!

Sempre tive um fraquinho por música da América Latina. Desde o Bossa Nova à música de intervenção chilena dos anos 60, a passar pelas cumbias mexicanas e o incontornável tango argentino: gosto de tudo. Mas o México sempre se destacou como um país de referência musical: a Lila Downs é, indiscutivelmente, uma das minhas cantoras de eleição e a banda sonora do Y Tu Mama También – composta quase exclusivamente de bandas mexicanas – é dos discos que ouço mais frequentemente, de princípio a fim, sem saltar uma única música e deu-me a descobrir os excelentes Café Tacuba, os Molotov e o foleiríssimo mas divino cantor romântico Marco António Solis.
Os Mexican Institute of Sound, um projecto do presidente da editora musical EMI no México, o Camilo Lara, foram a descoberta mais recente e revelaram ser uma excelente surpresa: são uma espécie de Fun Lovin’ Criminals meets James Murphy, com samples brilhantes (desde o Hey Mickey da Tony Basil ao hilariante Macarena) e uma frescura que nos transporta para uma noite de verão, com um copo de margarita numa mão e um puro na outra, mas sempre de máscara cirúrgica sobre a boca... à cautela.

Tuesday, 5 May 2009

Vasco Granja (1925-2009)

Morreu na madrugada de ontem o Vasco Granja e, com ele, parte da minha infância. Lembro de, muito pequenina, sentar-me à frente da televisão e ver (reposições, julgo eu, porque o programa original ainda não é do meu tempo) os mais variados desenhos animados que o Vasco Granja nos presenteava, ora a Pantera Cor-de-Rosa, ora o meu personal favorite, o Speedy Gonzalez, sem esquecer as curtas checas e polacas feitas em plasticina ou jogos de sombras, que acabavam invariavelmente com o célebre “koniek” (que durante anos achei que queria dizer “bonecos animados” mas vim finalmente a descobrir que significa, e com alguma lógica, “fim”…).
Fica o enormíssimo contributo e a pena de não haver, hoje em dia, um educador como foi o Vasco Granja.
Koniek.

Thursday, 30 April 2009

“There are only two emotions in a plane: boredom and terror”, Orson Welles

Apesar de ser boa rapariga, amiga do seu amigo e ter um belíssimo carácter e feito – modéstia à parte – tenho um longuíssimo rol de pet peeves. À medida que penso mais nisso, dou por mim a embirrar com cada vez mais coisas. Embirro com pessoas que não dizem os “s” antes dos “r”. Embirro com elevadores que não têm espelho. Embirro com restaurantes que não têm multibanco. Embirro com roupas que têm etiquetas do tamanho do Guerra e Paz.
E embirro com pessoas que não se sabem comportar em aviões.
Peguem num comum cidadão. Chamemos-lhe Manuel.
Agora ponham o Manuel num autocarro. O Manuel tem um comportamento banal: senta-se calmamente, guarda junto a ele os respectivos pertences e só se levanta quando chega à sua paragem. Metam o Manuel num carro: ele senta-se, põe o cinto de segurança, não se levanta vez uma só vez durante a viagem e só tira o cinto de segurança quando o carro está estacionado e desligado. E se o Manuel andar de comboio, barco ou carroça, não terá uma conduta muito diferente.
Mas agora metam o Manuel num avião. Nem que o Manuel tenha voado 10.000 vezes, a excitação é igual à primeira vez em que andou de avião.
Começa logo no check-in. Nem que só vá 2 dias, o Manuel precisa de levar 18 malas, 17 das quais são bagagem de mão, cada uma com 40 quilos.
Passado o check-in, o Manuel fica louco com o Tax Free. Compra um volume de 10 maços mesmo que não fume, um Toblerone gigante e um kit de perfumes que tinha um desconto especial.
Depois, mesmo sabendo que os lugares de avião estão previamente marcados e determinados, o Manuel quer ser o primeiro a chegar à porta de embarque. Espera de pé em frente à porta ainda fechada porque o Manuel, que é um homem precavido, chegou com 1 hora de antecedência. E o Manuel adora formar fila e, mais ainda, ser o primeiro dessa fila, mesmo sabendo que, antes dele, ainda vão entrar no avião as pessoas com crianças, em cadeiras de rodas ou com bilhete de executiva.
Uma vez dentro do avião, sendo que vai ter de esperar pelo menos 30 minutos antes da descolagem porque foi dos primeiros a entrar, o Manuel senta-se, aperta logo o cinto e começa a ler a revista das vendas abordo, não vá o preço do Toblerone ser mais interessante que no Tax Free e ele assim leva mais dois.
Depois o Manuel ainda aproveita aqueles minutinhos antes da descolagem para falar ao telemóvel porque, sacrilégio!, vai ter de o desligar por uma quantidade de horas insuportáveis, tipo duas horas…
Mal o avião levanta voo, o Manuel, que nem cão de Pavlov, tem de ir à casa de banho. E como o Manuel gosta de ir à janela, tem de incomodar os dois outros passageiros da fila cada vez que precisa de esvaziar a bexiga da garrafa de litro e meio de Coca-cola que teve de beber à pressa antes de embarcar porque se esqueceu da restrição dos líquidos.
Uma vez de volta ao lugar, o Manuel volta a folhear a revista das vendas a borda, uma terceira vez, não lhe fosse escapar uma qualquer promoção.
Finalmente chega a hora da refeição. E o Manuel, como é um homem exigente, não quer só um copo com água. Quer uma Coca-cola (é que ele gosta mesmo de Coca-cola) mas tem de ser com gelo e limão. E também quer um copo de vinho, para acompanhar o Queru que vem no tabuleirinho da comida, e ainda um copo com água, não lhe vá dar a sede. Durante a refeição, o Manuel lembra-se que é a melhor altura para ir à casa de banho, uma vez que os passageiros estão todos entretidos a comer. Vai daí, incomoda as outros passageiros da fila, que têm de fazer malabarismos à Cirque du Soleil para o deixarem passar entre os tabuleiros cheios de comida, fragilmente pousados nas mesas mais pequenas e instáveis do mundo, e vai à casa de banho. Já no corredor, encontra-se preso entre os carrinhos da comida e os comissários de bordo e, para poder passar, o Manuel deita-se praticamente sobre um qualquer inocente passageiro sentado coxia e a respectiva refeição. Mas vai à casa de banho quando não há ninguém: esperto, o Manuel.
Depois da refeição, quando já levantaram os tabuleiros e as mesas mais pequenas e instáveis do mundo estão arrumadas, o Manuel lembra-se que, afinal, quer mais Coca-cola. Então carrega no botão para chamar a hospedeira e pede mais uma Coca-cola. Depois de bebida, e porque o Manuel não gosta de ficar com copos vazios, vai daí toca novamente no botão para chamar a hospedeira que, incompetência das incompetências!, não é vidente e não estava lá no preciso segundo em que o Manuel acabou a sua bebida.
Tomada a refeição e findas as idas à casa de banho, o Manuel aborrece-se. Já leu a revista do avião pelo menos 7 vezes e, mesmo sendo um homem viajado, nunca traz livro. Então o Manuel, oblivious do facto de ser altamente proibido e perigoso, decide ligar o telemóvel, que assim sempre se entretém a limpar mensagens antigas e ainda faz uns jogos de serpente.
Na aterragem o Manuel faz questão de mostrar que é um homem com muito que fazer e com pouco tempo. Mal o avião toca o chão, o Manuel levanta-se que nem uma mola para ir tirar as suas 17 malas de mão dos compartimentos, atropelando umas tantas cabeças pelo caminho com os braços, casaco e malas. E o Manuel, que é um homem organizado, começa logo a formar uma fila no corredor para sair do avião, independentemente da hospedeira ter pedido, repetidamente, para só se levantarem quando o sinal do cinto de segurança estiver desligado e do lugar dele ser o 34A e ter ainda uma centena de pessoas à frente.
E, de pé à espera na fila para sair do avião (o que ele gosta de filas!), o Manuel pega no telemóvel – que acabou por nem sequer desligar na aterragem (pôs em modo silêncio, que é igual) – e telefona para o familiar que espera por ele na sala das chegadas: “’Tou? Olha, acabei de aterrar. Não, não, ainda estou no avião. Mas já aterrei. Vá, já aí estás? Estás com quem? A sério? Passa lá. ‘Tou! Olá! Então? É, acabei de aterrar. Não, ainda estou no avião, vou agora. Vá, até já”.
Chegado ao aeroporto, o Manuel vai a correr para o tapete das malas porque, como já se sabe, o Manuel é gosta de ser o primeiro a chegar! E, como também se sabe, se há serviço rápido e eficiente em Portugal é o serviço das malas no aeroporto de Lisboa: uí, aquilo é que é! Uma pessoa às vezes só espera 2 horas, um ápice.

É por estas e por outras que estou a ponderar seriamente ir a Pequim… de carro!

Monday, 27 April 2009

Old age isn't so bad when you consider the alternative...

Com os filmes do Indie mais que esgotados (isto de ter de comprar os bilhetes com dias de antecedência é, no mínimo, absurdo…), ontem vi-me forçada a trocar um filme francês em Alvalade por um italiano no King. E ainda bem.
O Pranzo di Ferragosto trata da história de Gianni, um homem de meia-idade que vive em Roma com a mamma, uma viúva aristocrata em decadência, de quem cuida, com a maior dedicação e ternura. No feriado de 15 de Agosto, a troca de um perdão de dívidas que contraiu para manter o lifestyle da mamma, Gianni vê-se obrigado a tomar conta de mais três idosas: a mãe e tia do senhoria e ainda a mãe do médico amigo.
É um retrato intimista e despretensioso da vida quotidiana italiana e da velhice, no qual o realizador Gianni Di Gregorio consegue evitar os clichés, oferecendo todos os ingredientes essenciais a uma filme deste género: a cena da preparação da pasta al forno é de fazer crescer água na boca, a importância do vinho e do almoço em família, o passeio de vespa pelas ruas desertas de Roma em dia feriado, a solidão e vulnerabilidade dos idosos…
Um filme delicioso que me deixou embevecida de saudades dos meus avós e dos fins-de-semana que passei em Roma com a minha irmã.
A não perder!

Friday, 24 April 2009

No matter how long the winter, spring is sure to follow.

Embora o tempo ainda esteja meio tremido e incerto, já apanhámos aí uns valentes dias de sol e calor. Pode dizer-se com confiança e à boca cheia: chegou a Primavera! Adoro a Primavera. Não tanto pela Primavera em si mas tão só porque significa que vem lá o Verão. Aaaah, o Verão. Aquela estação maravilhosa de dias longos, sol quente, mar salgado, noites tórridas e Lisboa sem chefes, sem trânsito e cheia de lugares à porta. E ainda todo um novo guarda-roupa. O budget este ano está curto (com as férias de há umas semanas atrás e a casa nova a partir do mês que vem) mas já vêm duas peças a caminho.

As calças são da Citizens of Humanity, mais uma marca que tarda – estupidamente – em chegar à Europa.

O top é da Mara Hoffman, uma designer americana que ficou conhecida quando a Sarah Jessica Parker vestiu uma das suas peças no Sexo e a Cidade. Tem vestidos divinos, à la Diane Von Fustenberg, lindos de morrer mas com preços igualmente mortíferos… Fiquei-me pela peça bem mais barata ou, melhor dizendo, menos cara. Agora é só trabalhar no bronze e trabalhar tout court para abater a moça no orçamento…

“The most curious offspring of shame is shyness”, Sydney Smith

Entro no meu próprio blogue, corada de pejo, de cabeça vergada e ombros encolhidos, envergonhada de não pôr cá os pés há quase 3 meses… Sinto-me quase compelida a soprar o pó do ecrã e sou capaz de jurar que ouvi o computador chiar quando abriu a página do B’necas.

Quando começamos o B’necas, já lá vai mais de um ano, a Peque-nina e eu fizemos a promessa de que não iríamos deixar morrer o projecto nem o entusiasmo que tínhamos por ele. Era um desígnio nosso, íntimo quase, no qual expressávamos desde os pensamentos mais obscuros e reservados às opiniões mais fúteis e públicas. Pouco nos importava que fosse lido por duas ou mil pessoas (claro que preferimos os mil leitores que deixam comentários e sugestões!) Era o nosso espaço, o nosso security blanket.

Acontece que ambas temos trabalhos absorventes, com horários extenuantes e que nos deixam pouquíssimas oportunidades para dar desenvolvimento ao B’necas. Não pudemos sequer assinalar, no passado dia 19 de Março, o primeiro aniversário do nosso querido blogue.
O trabalho não parece querer diminuir e continuamos assoberbadas, a questionar-nos “Crise? Qual crise?!” e a tentar aproveitar os tempos livres para nos lembrar que temos vida, família e amigos, que há viagens a fazer e noites a percorrer…
Mas prometi a mim mesmo que vou voltar ao activo. Senti falta deste confessionário, admito-o. Abraço-o agora saudosamente e sigo, pois, com o prometido: venham de lá os posts!

Ps: uma palavra de apreço e sincero agradecimento àqueles que estão a ler isto. Significa que não desistiram nem abandonaram o B’necas. Obrigada!

Friday, 13 February 2009

Até o estupor do pinguim tem pretendentes…

Amarga, eu?! Nãããã…

Odeio pura e simplesmente o dia dos namorados quando estou solteira. É uma aversão visceral. Quando tenho namorado, não ligo especialmente mas quando não tenho namorado, abomino e de que maneira.
O dia de São Valentim é um dia negro para quem não tem namorado, não há volta a dar. É um dia em que basicamente os casais apontam o dedo para os solteiros e riem-se de nós, marginais desta sociedade feita para casais apaixonados, põe o dedo na ferida e relembram-nos “este dia não é para ti porque ninguém te ama”. O vento parece sussurrar “looooooser”, começamos a ponderar ver panfletos sobre a adopção por famílias monoparentais e sites de encontros online… Quem diz o contrário mente com todos os dentes que tem na boca.
Usa-se muito a desculpa que se ouve da boca dos forretas na altura do Natal: “isto é tudo uma fantochada, é só para o negócio, não é mais do que uma campanha para as lojas fazerem dinheiro”. Tudo bem, não o nego: as lojas de lingerie (para os mais atrevidos), de peluches (para os mais parolos), de cartões (para os mais avarentos), de jóias (para os mais generosos), de chocolates e flores (para os menos imaginativos) e os restaurantes (para os mais gulosos) devem esfregar as mãos com a chegada do dia dos Namorados. Começa a ouvir-se o “kerchiiing!” das máquinas registradoras logo nos primeiros dias de Fevereiro. Mas, quer seja por motivos comerciais ou outro, no dia 14 de Fevereiro não se pode ir jantar fora sem ser aos pares, não há mesas sem ser para dois e até o McDonalds fica à luz das velas e põe Barry White e Marvin Gaye a tocar. Onde quer que olhemos, há corações, bouquets de rosas vermelhas, ursinhos a abraçar almofadinhas a dizer “amo-te”, diplomas para o/a melhor namorado/a do mundo… Os filmes de acção e comédia deixam sorrateiramente as salas de cinema e de repente só há “O Diário da Nossa Paixão” ou o “Love Story”.
E porque estou (i) sem namorado; (ii) farta de estar sem namorado; e (iii) convidada para 8 casamentos este ano… outra vez, deixo-vos com a minha interpretação do amor e das relações por estes dias.
Bom f-d-s!




Wednesday, 11 February 2009

O Amor Fechou a Loja

E porque estamos em vésperas do Dia dos Namorados, redescobri esta crónica já tão antiga do MEC mas que mantém ainda hoje – talvez mesmo cada vez mais – toda a relevância.
Para reflectir:

“Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “'tá tudo bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também”.

Friday, 6 February 2009

Music is enough for a lifetime, but a lifetime is not enough for music

À excepção do novo (e divino) álbum dos Animal Collective, ainda não passei o reveillon musical e continuo a saborear as melodias de anos idos, designadamente estas que vos deixo em tom de “ide em paz e tende um excelente fim-de-semana”.







Fashions fade, style is eternal

O Look Book é o que o nome indica: um book virtual em que qualquer ilustre desconhecido é modelo: basta mandar uma fotografia do look e partilhá-lo com o mundo.
É um site cansativo, longe de ser uma referência de entre os excelentes sites de moda que proliferam na Internet. Ao fim ao cabo, é tudo um bocado mais do mesmo: montes de miúdos com cortes de cabelo à Facto, que pesam 30 quilos e se acham únicos, originais e rebeldes quando, na verdade, basta fazer scroll e ver milhares de fotografias iguais, com miúdos iguais, roupas iguais, poses iguais e expressões iguais.
Não obstante, é um site que entretém e que, de quando em vez, tem lá uma pérola, umas combinações interessantes e mesmo umas fotografias de qualidade artística.
Fiquei fã, por exemplo, deste look que, apesar de não ser propriamente inovador, tem muita pinta, é muito usável e imitável.



Ainda a propósito de moda, a belíssima, talentosíssima e indie-íssima Chan Marshall, aka. Cat Power, depois de ter sido a imagem de uma campanha de jóias da Chanel e iluminado o ecrã nos poucos minutos em que aparece no My Blueberry Nights, é agora a estrela da campanha Primavera/Verão ’09 da Red Tab Girls da Levi’s, uma colecção com inspiração assumidamente seventies, tanto nos cortes das calças como nas lavagens.
Em breve vermos esta imagem espalhada pelas lojas Levi’s:


Friday, 30 January 2009

Leave the gun. Take the cannoli.

Nunca pensei que o meu interesse pela máfia italiana de Nova Iorque passasse de O Padrinho ou Os Sopranos. Mas pelos vistos, passou.
Ando neste momento obcecada com uma marca de roupa chamada Married to the Mob cuja linha de design pode ser vagamente descrita como um estilo updated da Karen, personagem da Lorraine Bracco no Goodfellas. Ele é correntes em ouro, ele é camisas de seda com padrões à Versace, ele é fato de treino de lycra… mas tudo com uma pinta que faz parecer que a Gwen Stefani se veste na Cenoura.
A campanha Primavera / Verão 2009 é protagonizada pela up & coming rapper Kid Sister e tem estes modelitos deveras interessantes. Mais uns itens para a wishlist…


Wednesday, 28 January 2009

John Updike 1932-2009

John Updike foi dos primeiros escritores que li na minha adolescência que me despertou para a dita literatura “adulta”. Abriu-me para todo um novo mundo onde se falava de sexo, divórcio, traições e morte de uma maneira crua e espirituosa. Apaixonei-me pelo anti-herói Harold Angstrom da série dos Rabbit em que Updike fez dos melhores retratos dos EUA dos anos 70 e 80, da sociedade yuppy sexualmente insaciável, com intrigas à la Mike Nichols e uma acutilante análise sócio-cultural.
R.I.P.