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Friday, 25 February 2011

¡Vamos à la playa, ó ó ó!



Ontem desculpei-me por ausências passadas. Hoje desculpo-me por ausências futuras. V O U D E F É R I A S!
Daqui a escassos dias vou estar noutro continente, noutro hemisfério, noutra estação e, ainda que por apenas 15 dias, noutra vida.

Cultura: Check!


Fashion: Check!


Comida: Check!


Natureza: Check!


Praia: Check! Check! Check!



Fazer uma mala de verão no inverno é uma esquizofrenia de emoções: primeiro, a felicidade por reencontrar aquela peças de roupa que já nem nos lembrávamos que tínhamos mas que adoramos e, ao dobrá-los na mala, revivemos os dias quentes e doces do último verão em que as vestimos… Mas depois há uma onda de pânico: terão, por algum engano inexplicável, trocado o meu guarda-roupa de verão pelo de uma anoréctica de 1’80 que vive nos Barbados?! Por alma de quem é que tenho um triquini? XS?! AMARELO!? Eu, há mais de 6 meses sem apanhar um mísero raio de sol, há mais de 6 meses a comer que nem um cavalo porque “está frio e preciso de vitaminas” vou ter de vestir isto? Numa praia onde as pessoas já estão há mais de 3 meses a bronzear-se?! Num país onde há mais operações plásticas do que operações financeiras?! Mas porque será que compro toda a minha roupa de verão a pensar no que vou vestir no dia 31 de Agosto?! E como é que aguento aqueles primeiros dias saídos da gruta invernal com a pele translúcida a expor todas as minhas imperfeições!?
O pior é que já tenho esta viagem marcada desde o ano passado e, mal fiz as reservas, começou o countdown: “Muito bem, tenho 117 dias para ficar impecável! Agora só como peixe grelhado e legumes a vapor e vou correr todos os dias!”. Cut to 117 days later, depois de substituir o peixe e legumes por H3 com arroz e batatas fritas, umas tantas coca-colas e mais Blue Bell do que devia ser legalmente permitido…
Deixo-vos com alguns dos meus companheiros de viagem: uns já na mala, outros à espera do subsídio de verão… para férias que hão de vir!



Este biquini cuecão da Marc Jacobs:



Para mal dos meus pecados, os meus Wayfarer que me acompanharam estes últimos 3 anos partiram-se a meio irremediavelmente. Mas, quando Deus fecha uma porta, abre uma janela. Surge agora a oportunidade para comprar uns óculos novos! Estes são os favoritos neste momento.



A Kate Bosworth é sem dúvida uma das meninas mais bem vestidas de Hollywood neste momento (prova de que não tem de se ser grande actriz nem fazer grandes filmes para ser uma it girl…). Este top de camurça persegue-me nos meus sonhos, desejo-o a esse ponto. É absolutamente perfeito. Irrepreensível.


O Vestido de Ganga Sem Costas.
Ou Como Tivessem Sido Os Anos Oitenta Com Bom Gosto.
Perfeito para o verão, perfeito para as férias.
Love it!



Esta saia drapeada da Isabel Marant, uma das melhores exportações francesas dos últimos anos. Ideal para viajar, fácil de meter na mala, casual chique, precisamente o que se quer nas férias!



Uns calções de renda. Os de baixo são da Oysho, logo, acessíveis. Wohoo!



A nova colecção do Thom Dolan é absolutamente deliciosa, ainda por cima a campanha tem uma menina que muito lembra a Betty Draper. Elejo este biquíni e o look dos calções culotte e a blusa são os meus predilectos.




Todo o kit Longchamp da Kate. Desde as sandálias ao vestido e, claro, a mala.



Estes YSL. A Jane já os tem. Eu fico-me pela vontade.


Acho que vou ter de quebrar a minha imaculada fidelidade à G-Shock e render-me à tentação da Nixon que tem uma colecção de verão deveras apetitosa e já disponível nas lojas de surf cheias de putos insuportáveis com penteados à Bieber. Mantenho fiel ao retro-look 80s da G-Shock ou embarco no furor que a Nixon anda a fazer?




O que é que acontece quando uma das melhores marcas de automóveis se junta à melhor marca de máquinas fotográficas? Este sonho:





Não se queixem que por Lisboa também vai estar bom tempo. Menos mau, não?

¡Hasta pronto!

Wednesday, 6 January 2010

Courtesy of my sweet M.


Síntese da Felicidade
, de Carlos Drummond de Andrade

Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Friday, 30 October 2009

Diz que deu, diz que Deus, diz que Deus dará...


Tenho uma relação amor/ódio com a música brasileira.

Em geral, odeio. Prefiro arrancar as pestanas a ouvir Canta Bahia ou ver alguém dançar samba: o que é aquilo? Parece que estão a tentar apagar um tapete a arder ou têm formigueiro no pé. Sinistro.

Mas nós, portugueses, sempre fomos muito permeáveis a música brasileira.

Ultimamente, há a moda do choro, impulsionado pelas 3ª-f. à noite no Lusitano Clube e agora no Miradouro. Há uns tempos era impossível ligar o rádio sem ter de levar com o dueto da Vanessa da Mata com o Ben Harper. Há uns verões foi o furor do baile funk: até na Feiras Novas de Ponte de Lima dancei mais Bola de Fogo do que o vira! Houve a fase do rock das Mamonas Assassinas e do rap do Gabriel o Pensador e da Fernanda Abreu. Há uns bons anos atrás quem não fosse dono do "Feijão com Arroz" da Daniela Mercury ou não soubesse de cor o "Vermelho" da Fafá de Belém era ostracizado que nem um leproso.
E houve ainda a idade de ouro dos cantores românticos, com os duos Leonardo e Leandro (ou era Leandro e Leonardo?) e Sandy e Júnior (pequena nota: serei a única a achar ligeiramente incestuoso um duo romântico ser composto por irmão?), sem esquecer os maravilhosos Só Pra Contrariar (melhor nome de banda de sempre, logo a seguir ao Coco, Ranheta e Facada, que, durante anos, achei que se chamava Cóco, Punheta e Facada). O hit dos SPC (como eram conhecidos) foi “Depois do Prazer” composto por letras tão maravilhosas como “o amor só se mede depois do prazer” (hein?!), “quando o desejo vem é teu nome que eu chamo, posso até gostar de alguém mas é você que eu amo” e “estou fazendo amor com outra pessoa, mas meu coração vai ser sempre teu”. Fogo. Brutal. Melhor letra de sempre: não só insultas a tua ex, porque já estás na cama com outra, mas ofendes também a outra porque estás “fazendo amor” mas a pensar na ex. Isto já entra naquela zona cinzenta do é tão mau, tão mau, tão mau que chega a ser bom.



Mas reconheço que, evidentemente, é redutor resumir a música brasileira aos Irans Costas ou Netinhos desta vida.



Antes de mais, tenho de admitir a minha ignorância e total desconhecimento do panorama actual da música brasileira. Haverá, seguramente, muito talento que me passa ao lado.
Vêm-me à cabeça nomes como Marcelo D2, Cibelle e Seu Jorge que, ainda que não adore, reconheço-lhes o mérito. Tento pensar nos CDs de música brasileira “moderna” que tenho e não há muitos, de facto. Acho que o último disco brasileiro que comprei foi o dos Little Joy (nem sei se contam como brasileiros mas contam com metade dos Los Hermanos, por isso…) e antes desse foi o já bem velhinho da Fernanda Porto que ouvi até à exaustão. Ah, tb tenho o über comercial dos Tribalistas que me foi oferecido mas que ainda ouvi bastante, admito.


Ainda assim, a minha vertente “amor” na relação com a música brasileira passa essencialmente (se não for mesmo exclusivamente) pelos vozes dos vinis gastos do meu Pai que pertencem a nomes da década de ‘70 tão sonantes e respeitáveis como Tom Jobim, Vinícuis, Elis Regina (das minhas vozes predilectas), Caetano e, claro, Chico Buarque.
Sou apaixonada pelo Francisco Buarque de Hollanda, letrista de um talento incomensurável e dono dos olhos mais lindos e da voz mais doce do mundo que tantas vezes me embalou na minha infância. Enquanto que a minha Mãe tocava em loop o revolucionário e maravilhoso “Tanto Mar” sobre o 25 de Abril, o meu Pai preferia uma gravação de um concerto que o Caetano e o Chico deram em conjunto em Salvador da Bahia, em 1972, e que tem pérolas como “Bom Conselho” (letra fenomenal!), “Os Argonautas”, sobre os descobridores portugueses, numa espécie interpretação brasileira do tão nosso fado e, a minha eleita, o “Partido Alto”. O nome da canção refere-se ao estilo musical (partido alto é um tipo de samba dos anos ‘30) e nada tem a ver com a letra que é a verdadeira pièce de resistance.


Para ouvir, rir, dançar, cantar e encantar, deixo-vos o Brasil em música. Bom fim-de-semana!



Para rir:



Para ouvir:



Para dançar:



Para cantar:



Para encantar: